Sep 03 2008

O teatro de Louis Jouvet

Publicado por Cyro Del Nero em Teatro

É sempre Louis Jouvet, diretor teatral mais sábio que erudito e excelente ator do teatro francês, quem nos revela o teatro. São inúmeros seus ditos transformados em citações constantes pelos homens do palco.

É dele a afirmação de que os homens do palco são servos da imaginação do poeta e prestam o serviço mais nobre ao teatro ao qual servem com humildade.  E os espectadores seguem com docilidade o poeta dramático ao império desconhecido do teatro que não tem nada de comum com o mundo sensível que nos cerca.

Ele diz:

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Aug 29 2008

A voz

Publicado por Cyro Del Nero em Música

Maria Callas: cantora lírica de ascendência grega, considerada a maior celebridade da Ópera no século XX e a maior soprano de todos os tempos.

Você pode ter um instrumento musical favorito e seu amigo pode preferir um outro, mas a verdade é que seja qual for o instrumento, ele será sempre um pedaço de madeira ou de metal que soa a partir do exemplo da voz humana. Alguns se parecem mais com a voz humana e o instrumento apontado como o mais semelhante é o violoncelo. Mas todos eles reproduzem o grito ou o sussurro, a amargura ou a doçura da voz humana.

A voz é misteriosa e tanto é assim que você notará cantores referindo-se a sua voz não dizendo a minha voz. Eles dizem a voz. Estou com a voz hoje, ou a voz não está soando bem, etc. Há um distanciamento entre cantor e a sua voz, como se ela fosse uma outra existência dentro dele. Você cumprimenta um cantor sobre a sua belíssima voz e ele quase se desculpa dizendo: é um dom de Deus. Como se a voz não fosse dele.

Quando menino já havia alguém que descobrira que havia uma voz que a ele pertencia e que era um atributo especial.De onde vem a voz? É o ar que vem dos pulmões que se movimenta através das cordas vocais e sai pela boca? E como é que só isso possa encher de sons musicais um teatro de 4.000 lugares, como o Metropolitan Ópera House de Nova York, cobrindo com seu som a própria orquestra completa e chegando até aquele público emocionado da última fileira? É. É um dom de Deus.

Maria Callas Otello: Ave Maria

Carmen, Maria Calas

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Aug 27 2008

Os primeiros camarins da história e a criação da Cenografia

Publicado por Cyro Del Nero em Teatro

Bosques Gregos

No início, em 600 antes de Cristo, os atores iam trocar de indumentária no próprio bosque além do palco, atrás das árvores. Fato que distraia a atenção do público. Decidiu-se então construir uma tenda que seria o primeiro camarim da história. Tenda em grego é ‘skene’. Mas a porta desta ‘skene’ sendo no centro dela continuava a roubar a atenção do público.

O público continuava a tentar ver o que acontecia dentro da tenda enquanto o ator se vestia. Alguém sugeriu algo lógico: virar a tenda ao contrário de tal forma que a porta da mesma ficasse na parte posterior, invisível, portanto. O público ganhou com isso a visão de uma parede lisa no fundo da ação dos atores.

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Aug 22 2008

O força de Eurípides em tempos contemporâneos

Publicado por Cyro Del Nero em Teatro

Alceste de Eurípides

Uma professora de ensino básico procurou um professor do Departamento de Artes Cênicas da ECA e perguntou se seria possível que este fizesse uma palestra para seus alunos sobre o teatro grego. Ela estava ensaiando alunos para a representação de ALCESTE de Eurípides.

Claro que sim, ele gostaria de fazê-lo. Mas queria saber a idade dos alunos que fariam o espetáculo trágico grego. Quando soube que os atores tinham onze anos de idade, não quis acreditar e então muito curioso foi depois de alguns dias até a escola na periferia de São Paulo.

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Aug 19 2008

As transformações no teatro brasileiro

Publicado por Cyro Del Nero em Teatro

As transformações na construção de um espetáculo teatral brasileiro foram inúmeras a partir do Teatro do Estudante de Paschoal Carlos Magno e depois do Teatro Brasileiro de Comédia. A seguir vieram o Oficina e o Teatro de Arena.

Para quem participou das reuniões de mesa para definição do espetáculo, foi possível assistir os processos mais díspares. Até que em certo momento da história teatral brasileira, adentrou as reuniões o esquema da criação coletiva.

O Teatro é um mistério e muitos elementos podem determinar seu sucesso ou seu fracasso. Um dos mais ativos agentes dos resultados positivos ou negativos é a família teatral. A composição, a energia, a simbiose criativa, a afetividade e, sobretudo, a ética do elenco que é a família teatral. Mas a grande experiência funcional do teatro é ter-se um diretor com uma idéia clara e bem composta, complexa e com propósito amadurecido e entusiasta.

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Aug 19 2008

WORKSHOP: “A História da Moda”

Publicado por Denise Pitta em Cursos

Durante os meses de Agosto e Setembro, Cyro del Nero estará ministrando o workshop “A História da Moda”. A programação é:

WORKSHOP: “A História da Moda”

Data: 16/08 à 16/09 (sábado)
Horário: 9h às 16h
Local: Rua Fidalga, 27 - Vila Madalena

Palestrante:

Cyro del Nero é cenógrafo, escritor e professor titular da cadeira de Indumentária Teatral da Pós-Graduação da Escola de Comunicações e Arte das Universidade de São Paulo (ECA/USP). Foi responsável pelo cenário e pelo figurino de inúmeras montagens teatrais e pela cenografia de eventos em diversos países.É autor do livro Com ou Sem a Folha da Parreira, que aborda a história da Moda.

Objetivos:

Proporcionar aos alunos o conhecimento abrangente da história da Moda: como se deu o surgimento das vestes, sua evolução através da história e como o modo de vestir se relaciona à Persona e ao Ego de cada indivíduo.

Observações:

Incluso no curso: material didático, serviço de coffee-break e emissão de certificado.

Informações:

www.cursoslivres.com.br

(11) 3816-0441

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Aug 13 2008

Konstantin Stanislavski e a Gramática da Representação

Publicado por Cyro Del Nero em Teatro

Konstantin Stanislavski - é o autor de uma verdadeira gramática da representação numa forma que pretende ajudar o ator iniciante e ser útil ao ator experiente. Considerando o valor da obra desse Diretor do Teatro de Arte de Moscou, a Enciclopédia Britânica procurou o notável ator americano e professor de atores - Lee Strasberg - e pediu a ele que se incumbisse do texto referente ao teatro. E ele o fez em 1959 e intitulou seu texto REPRESENTAÇÃO.

Ele que talvez seja o professor dos sussurros de Marlon Brando e das peraltices da atuação de James Dean, foi um dos professores fundadores do Actor´s Studio de Nova York e o principal divulgador das teorias de Stanislavski.

Segundo Strasberg o que Stanislavski fez foi revelar que o ator não deveria subir ao palco para representar, mas para atuar desempenhando as atividades exigidas do personagem. Como se a entrada no palco fosse a continuação de circunstâncias previamente ocorridas. Como se fosse a continuação de uma ação anterior. A entrada da memória. Que o ator carregasse uma memória, uma emoção rememorada na tranqüilidade, como dizia o poeta Woodsworth; como se sua arte viesse de uma interseção entre a arte e a vida como dizia George Bernard Shaw. Seria a repetição de emoções reais anteriormente experimentadas.

Stanislavski foi a Bíblia dos atores do século XX. No século XXI, ele ainda o é?

Para Stanislavski, Maria Yermolova representava o ápice da arte de representar

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Aug 07 2008

Notícias do Cyro del Nero

Publicado por Denise Pitta em Cursos

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Exposição de  Maquetes

Visite a exposição de trinta maquetes dos alunos de Cenografia do Prof. Cyro del Nero na FUNARTE onde você pode assistir OS POSSESSOS de Dostoiévski, dirigido por Antonio Abujanrra com cenário e figurinos de Cyro del Nero.

De quinta a sábado 20 horas e Domingo 18 horas. Entrada gratuita.

FUNARTE - Alameda Nothmann, 1058 Campos Elíseos, travessa da Avenida São João.

***

Ciclo de Conferências Sobre História da Antigüidade
A partir de 20 de agosto, na Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo, no projeto Interunidades, o Professor Cyro del Nero iniciará ciclo de conferências sobre História da Antigüidade.

Este ciclo semanal contará com temas como A FORMAÇÃO DO HOMEM GREGO, O RIO NILO, O TEATRO GREGO, ÉTICA NA PRÁTICA e outros.

Inscrições: deixe um comentário com e-mail que entraremos em contato.

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Aug 06 2008

Figurino: o equilíbrio dos signos ao compor um personagem

Publicado por Cyro Del Nero em Teatro

Há uma emoção para o figurinista durante a preparação para o ensaio final de um espetáculo teatral. Chegam os costumes depois das provas já havidas e o ator veste-se finalmente diante de um espelho. A emoção e as voltas que o ator dá ao redor de si mesmo para ver-se em seus diversos ângulos e dinâmica, avaliando o uso que seu corpo dará finalmente à sua personagem. Tudo completa naquele momento a realização do trabalho que o ator teve até então. Sua persona está pronta.
Roland Barthes diz que o bom costume teatral deve ter bastante material para significar e suficiente transparência para não constituir seus signos em parasitas. Ou seja, é o talento do ator que veremos, mas estaremos vendo a expressão plástica da personagem tornada visível através de um costume teatral com uma indispensável transparência conceitual para apreciarmos o ator. O que Barthes chama de parasitas é tudo aquilo acrescentado por capricho do figurinista, aquilo que este fez nascer ao redor do figurino: o ornato, que quer dizer exatamente isso, or-nato, nascido ao redor.
Houve uma dissertação de mestrado de um aluno que defendeu a idéia de que aquele que sabe realmente qual figurino deve vestir sua personagem não é o figurinista, é o próprio ator. A idéia deste aluno punha por terra o gênio de históricos figurinistas, conhecedores profundos da história da moda, sobretudo os do século XX, tais como Gischia, Malclès, Bakst, Jean Hugo, Tchelitchef, Coutaud, Prampolini, além de diversos figurinistas brasileiros que têm vestido espetáculos modestos ou ricos, com competência e eficiência. E muitos outros figurinistas do mundo teatral que munidos de um vasto conhecimento da moda, o utilizam para dar signos aos figurinos e com os materiais de seu ofício dar suficiente transparência às personagens sem constituir seus signos em parasitas.

Por Cyro Del Nero

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Jul 28 2008

Simbologias dos espaços no Teatro Grego

Publicado por Cyro Del Nero em Teatro

Representação de como seria um teatro grego

O teatro grego tinha em sua cena, três portas. A porta central era o interior do palácio de Tebas, por exemplo, de onde saia e entrava o ator representando Édipo Rei. A porta da direita de quem estava na platéia era a porta de entrada do gineceu, ou seja, dos aposentos femininos. A porta da esquerda do público era a porta por onde chegavam e partiam os estrangeiros.

Por que isso? É claro que a porta central era a porta do poder, daquele a quem pertencia o palácio. Em grego a palavra gineca quer dizer mulher, portanto o gineceu, a porta da direita, pertencia aos aposentos de Jocasta, mãe e esposa de Édipo.

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