Apr 14 2009

A história dos objetos na cenografia

Publicado por Cyro Del Nero em Teatro

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Os objetos de cena sempre foram definidos pelo diretor em união com o trabalho do cenógrafo que então vai definir volumes e cores e, sobretudo locais onde estes deveriam estar.

Foi Antoine no século XIX quem recusou objetos pintados e truques ilusionistas exigindo objetos reais, materiais trazendo sinais de sua existência anterior, de um passado reconhecível e táctil.

Efeitos sim, mas verdadeiros. Antoine nos revelou a teatralidade do real. Entretanto em grandes escalas isso não é possível. Por exemplo, as ondas fictícias do rio Reno em encenação de Bayreuth sob a direção e a cenografia de Wieland Wagner. Foi a luz que fez o rio mover-se. Nem uma gota do próprio entrou no palco, naturalmente.

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Mas Antoine foi mais longe. Colocou carne crua pendurada no palco no espetáculo Os Açougueiros em 1888. Um pouco ingênuo disseram. No espetáculo moderno que foi A Casa de Chá do Luar de Agosto havia uma rubrica solicitando um Jeep no palco. Mas o compromisso dessa teatralidade do real é muito grande.

Muitas vezes é disfarçada a falta de importância do objeto de cena pintando-o apenas. Se você o pintar ele não sairá da parede. Mas se você coloca na parede de um cenário uma vistosa e real espingarda, é necessário que um ator dê um tiro no segundo ato.

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Por Cyro del Nero

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Nov 24 2008

O Teatro como o exercício da existência

Publicado por Cyro Del Nero em Teatro

O teatro é feito de uma pessoa que representa uma segunda pessoa que é olhada da platéia por uma terceira pessoa: essas três pessoas são: o ator, a personagem e o público.

O ator tem a capacidade de imaginar como essa terceira pessoa na platéia, o público, reagiria enquanto ele representasse. Para tanto ele projeta mentalmente sua personagem e com ela, a si mesmo.

Essas introjeções e projeções simultâneas nos lembram Thomas Mann dizendo que existe uma afinidade natural entre arte e a patologia. O próprio Salvador Dali dizia que ele e um louco eram iguais, com a diferença de que ele não era louco.

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Nov 21 2008

Curso de História da Cenografia com Cyro del Nero

Publicado por Cyro Del Nero em Cursos

O professor titular do Departamento de Artes Cênicas da USP, Cyro del Nero, abre, semanalmente, cursos com aulas de estudos cenográficos para 10 alunos.

Será disponibilizado material para confecção de maquetes gratuitamente.

As aulas vão abordar a História da Cenografia, revisitando a atmosfera teatral, televisiva e eventos.

Terá início em 8 de janeiro de 2009, com 12 aulas semanais. Nessas aulas serão estudas análises de tema, estudo de projeto, realização de projeto, confecção de maquetes e análise de resultados.

Informações com Mariana através do telefone 11 3726-5704

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Nov 14 2008

O rito das celebrações no universo teatral

Publicado por Cyro Del Nero em Teatro

Rito pagão – Magick Circle / Sir Waterhouse

A duração da existência foi sempre dividida entre ritos e celebrações. Por exemplo, os ritos que exorcizam a morte, esse acontecimento indesejado, mas compreendido como início de uma nova existência. Ou as quatro estações que são recebidas com rituais de Primavera – nascimento e floração, Verão – alegria, Outono – crepúsculo e Inverno – morte.

Celebrações são criadas pelo homem e há sempre aquela da espera da volta do sol após o Inverno. Em cima da festa pagã milenar do solstício, comemorando a volta do sol no hemisfério norte, em dezembro, a Igreja cristã colocou a celebração do nascimento de Jesus Cristo, substituindo a festa pagã que já existia nessa data.

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Nov 12 2008

A arte da anulação da incredibilidade no Teatro

Publicado por Cyro Del Nero em Teatro

Após um nascimento obscuro ou mágico, o jovem desaparece durante seu aprendizado entrando na floresta ou no deserto e em algum momento de sua formação, o xamã vive uma experiência estranha e mórbida ou outra experiência única e volta para devolver a energia ganha através das tentações suplantadas, da contemplação ou da autoflagelação. Tendo ganhado o poder da cura ele organiza um corpo de acólitos.

De alguma maneira ele reconheceu os signos naturais e os dominou e demonstra isso sempre de maneira dramática para impressionar aqueles que ele formou para ele: seu público, seus pacientes, seus crentes, seus fiéis.

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Nov 07 2008

O espirito “xamânico” no teatro

Publicado por Cyro Del Nero em Teatro

O xamã faz um espetáculo no qual cura os doentes, bate nas rochas e elas vertem água; ordena às nuvens que chova; come fogo e pisa brasas; atravessa o próprio corpo com agulhas e farpas; encanta serpentes; levita; sobe por cordas suspensas no ar; conhece Hipnose, Ilusionismo, Faquirismo, Ventriloquia e também Prestidigitação – tem dedos rápidos.

A experiência xamânica e sua trajetória são universais. Ele antevê o espetáculo teatral.  O primeiro sinal de sua existência especial é seu nascimento sempre marcado por um fenômeno único: nascido de mãe virgem, como o grande xamã do Cristianismo, é concebido por obra do Espírito, por exemplo.

E é o dramaturgo católico Paul Claudel na sua peça teatral ANÚNCIO FEITO A MARIA quem decifra o mistério do milagre da concepção pelo Espírito Santo.

Ele aponta o que há de natural no que chamamos milagre da santa concepção, e diz: – Esse milagre acontece todos os dias. O sol não atravessa o vidro sem quebrá-lo?

Por Cyro Del Nero

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Nov 05 2008

Evolução Teatral: dos mosteiros alemãos e conquistas territoriais ao futuro renascentista da Mandrágora de Maquiavel

Publicado por Cyro Del Nero em Teatro

No momento da construção do primeiro mosteiro, os primeiros santos estavam sendo canonizados e uma solitária e culta monja alemã – Hroswitha de Gandersheim – escrevia uma peça teatral litúrgica e reinventava a dramaturgia a partir de Sêneca*.

Enquanto isso, a ordem beneditina encenava pelas ruas da Europa católica o Drama do Cristo Rei. As farsas teatrais haviam surgido na virada do século X e Constantinopla era ainda a cidade mais importante do mundo, comercialmente e culturalmente, na qual eram conservadas duas culturas para o futuro, a grega e a romana, até que a capital do Bizâncio em uma terça feira chamada terça-feira negra em 29 de Maio de 1453 é tomada pelos Otomanos.

São fundadas na época as universidades de Córdoba e do Cairo e é iniciada a construção da Catedral de São Marcos, em Veneza, para onde são levados os cavalos do Hipódromo de Constantinopla.

Começa a ser concebido um sistema de notação musical que será desenvolvido por Guido D’Arezzo e no final desse século se verá o aperfeiçoamento da pólvora pelos chineses. E o teatro renasce, atravessa as ruas e os currais da idade média e será iluminado por um futuro próximo, renascentista. Chegarão os dias quando se ouvirão os versos da Mandrágora de Maquiavel.

*Lúcio Aneu Séneca (português europeu) ou Sêneca (português brasileiro) (em latim: Lucius Annaeus Seneca; Corduba, Hispânia, 4 a.C. — Roma, 65 d.C.) foi um dos mais célebres escritores e intelectuais do Império Romano. Conhecido também como Séneca (ou Sêneca), o Moço, o Filósofo, ou ainda, o Jovem, sua obra literária e filosófica, tida como modelo do pensador estóico durante o Renascimento, inspirou o desenvolvimento da tragédia na dramaturgia européia renascentista.

Saiba mais sobre o escritor no Wikipédia.

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Oct 27 2008

Máscaras: as relíquias do teatro grego

Publicado por Cyro Del Nero em Teatro

O carro de Thespis, cheio de máscaras, é uma convenção lendária confirmada pela existência de mármores atenienses onde se lê seu nome.  E há notícia de que nas suas primeiras apresentações dos concursos dramáticos, onde compunha e cantava ditirambos, ele disfarçou seu rosto com um pó, provavelmente um talco proveniente de chumbo ou gesso, depois pendurou flores nos cabelos e mais tarde passou a usar máscaras de linho que ele criava.

Choirilos, o ator, foi quem agregou algo às máscaras que impressionou o público – não sabemos o que – e Phrinicus criou as máscaras femininas. Após essas alterações, o poeta trágico Ésquilo, usou as primeiras máscaras coloridas e outras aterrorizantes.

A majestade do edifício teatral grego, as obras monumentais que nos restaram dos poetas trágicos, o sofrimento expresso na “máscara de Agamemnom” do Museu do Pirreu, a ferocidade das máscaras da Comédia, as ilustrações gloriosas do Teatro nos vasos durante alguns séculos, são o retrato que ficou de tudo isso que chamamos Teatro Grego.

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Oct 21 2008

A reação Cristã contra o teatro romano

Publicado por Cyro Del Nero em Teatro

A reação cristã era natural, se lembrarmos que os cristãos eram condenados a combater gladiadores treinados e serviam como carne a ser dilacerada ou queimada para entretenimento dos espectadores.

No espetáculo chamado VENATIO, cristãos – em lugar de cachorros – eram oferecidos aos leões. Crucificados e empalados, transformados em tochas vivas no meio das arenas, até a conversão de Constantino ao cristianismo quando ele modificou o estado das coisas através de leis, – mas o Estado estava ruindo. Isto em 312 dC.

Em 410 dC. Alarico, um Visigodo, atravessou os Alpes e saqueou Roma.  E mais: por que sua religião não permitia o teatro, deu ordem para que os teatros fossem fechados, para alegria dos cristãos. Portanto, foi o paganismo que acabou com a crueldade do que então se chamava de teatro e em outras eras não havia sido. Não foi o Cristianismo.

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Oct 17 2008

O Arlequin: famoso herói da Commedia dell`Arte

Publicado por Cyro Del Nero em Teatro

Com o tempo, Arlecchino, tornou-se o mais famoso herói da Commedia dell`Arte. Suas qualidades eram facilmente reconhecíveis como as de um parasita, o escravo esperto da comédia romana ou como o descendente direto de Mercúrio, aquele que negocia situações.

Era servil, ingênuo, mas fiel e cheio de soluções e recursos. Sempre metido em trapalhadas, acaba por se sair bem à custa de manobras cômicas incríveis. Respeita e ama as mulheres. Corre perigo às vezes e por isso precisa de um corpo atlético.

Sua roupa confusa cheia de losangos coloridos exprime seu caráter desigual, inconstante, e por ser dissimulado usa sempre uma máscara preta, para bem escondê-lo. Tem uma bolsa para as mensagens e recados, ou para guardar moedas que nunca são suas. E uma pequena espada apenas como definição e não como arma.

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Oct 16 2008

Theatrum Sacrum: a apoteose da alma pela arte Barroca

Publicado por Cyro Del Nero em Teatro

Arte barroca mineira de Ataíde – Igreja de São Francisco de Assis

O Barroco pretende a alma em apoteose. Apesar de ser o Barroco uma idéia pré-concebida em um Concílio da Igreja Romana, ele se conserva como forma ideal para os artistas de sempre, os que acreditam ter a existência humana apenas uma finalidade: glorificar a Deus. Barroco é a forma sujeita às curvas que deformam e exaltam, aspiram e se destinam aos céus.

Ganhamos o barroco no Brasil através de rabiscos e informações de oitiva que chegaram até os nossos gênios plásticos que o instituíram em nossa história da arte. Nosso barroco tem um signo de importação de idéias aclimatadas, mas com o indisfarçável gênio da terra.

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Oct 10 2008

Tecnologia marítima nos primórdios do teatro romano

Publicado por Cyro Del Nero em Teatro

Da Marinha, o teatro romano herdou além do velarium que cobria o público, o siparium, cortina da boca de cena que, ao invés de subir no início do espetáculo, descia, revelando primeiro a cabeça dos atores, indo até abaixo do piso do palco. No final do espetáculo a cortina subia, fazendo desaparecer o ator dos pés para a cabeça. Este siparium era sustentado por dois mastros laterais à boca de cena. Era uma vela marítima, acionada por uma manobra marítima.

Estaleiros romanos e depois vênetos, franceses e ingleses levaram o ‘velame’ (conjunto de mastros, vergas, velas e cordames) a extremos de sofisticação, a ponto de tecerem um intrincado e eficiente grafismo nos seus navios, linhas que nos encantam como desenho e sonho, quando examinamos maquetes de galeões, caravelas e veleiros. A história da marinha está cheia de intervenções na arquitetura e no teatro.

As pedras do Partenon foram alçadas, colocadas e travadas com know-how de marinheiros: manobras e guindastes foram trazidos por homens do mar, mestres que eram, desde o dia em que o cedro desceu às águas, como disse Ovídio.

Por Cyro del Nero

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Oct 09 2008

Santo Agostinho em defesa do teatro

Publicado por Cyro Del Nero em Teatro

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Uma das grandes transformações nos edifícios teatrais herdados da Grécia foi criada pelos romanos que resolveram cobrir os teatros com um velarium, para defender o público do sol e da chuva. E convocaram a Marinha, porque somente marinheiros – nos mares ou na terra – conheciam técnicas de cobrir grandes espaços com tecidos e dominar vento e água.

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Oct 09 2008

Prof. Cyro del Nero apresenta “História da Antiguidade; 50 Anos de Visita A Grécia”?

Publicado por Cyro Del Nero em Cursos

O Prof. Cyro del Nero estará participando do Fórum Arte Contemporânea e suas Interfaces com o tema História da Antiguidade: 50 Anos de visitas a Grécia.

O fórum se dará nos dias 15, 22 e 29 de Outubro de 2008 das 9h00 às 12h00 na sala Sala 22 – Departamento de Relações Públicas, Turismo e Propaganda – CRP, no campus da ECA USP – Escola de Comunicações e Artes.

Seguem-se maiores Informações:

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Oct 03 2008

Gesamtkunstwerk: a ópera de Richard Wagner

Publicado por Cyro Del Nero em Música, Teatro

Para Richard Wagner a ópera é uma Gesamtkunstwerk: gesamt é reunida, total; kunst é arte e werk é obra. Uma obra de arte total, onde deve ser restaurada a unidade perdida da poesia, da música e da dança em um só espetáculo.

Ele escreve: E isto deve ser realizado sobre o modelo da tragédia grega. A obra de arte do futuro deve reencontrar a síntese destruída pelo cristianismo. Deve ter a valorização do texto que é masculino, o qual deve então se unir à música, elemento feminino. Deve-se abandonar a história e buscar o mito, pois só o mito realiza a transposição da idéia para a emoção, que é a finalidade da obra de arte. Só o mito pode ser ao mesmo tempo popular, nacional e universal. Palavras de Richard Wagner.

Daí, Wagner ter recorrido à mitologia germânica, que já havia sido redescoberta na literatura depois do romantismo.

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Sep 30 2008

A relação hierárquica e harmoniosa de elementos de encenação

Publicado por Cyro Del Nero em Teatro

A encenação não é sempre a união de todas as artes, como na tragédia grega ou na ópera, mas uma justa relação hierárquica entre os diferentes meios de expressão.

O elemento primeiro e fundamental é o ator, pois sem ele o drama não existirá. É sua ação que deverá modelar o espaço teatral em torno e em função dele. Um espaço tridimensional – é isso o que substitui os fundos pintados, quando já eliminados juntamente com os vícios do palco italiano. E os volumes que substituem a superfície plana. Afinal o ator é tridimensional como deve ser seu universo do palco.

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Sep 24 2008

A exatidão e a inabalável certeza bachiana

Publicado por Cyro Del Nero em Teatro

Considerando o aspecto matemático da obra de Johann Sebastian Bach e seu poder lírico e transcendental, a Paixão segundo São Mateus não parece ser a obra que mais facilmente inspiraria uma revolução criativa (cênica, sobretudo) como a que atingiu o encenador Gordon Craig, que foi quem criou os cenários e dirigiu o espetáculo.

Se, por exemplo, pudermos imaginar um trabalho criativo com a Arte da Fuga ou a Oferenda Musical, o que resultaria como conseqüência das informações advindas destas obras tão complexas da teoria musical?

Uma iluminação conceitual veio para Craig da Paixão Segundo São Mateus, obra dramática, o quinto evangelho, e vinda de um outro mundo para nos entregar vibrações numa língua sensorial, mas intraduzível. E, nesta obra, a exatidão e a inabalável certeza bachiana, o domínio absoluto sobre o caos como nunca se havia ouvido na história da música, as vozes e os instrumentos bem temperados, o uso soberano das 24 tonalidades, o uso dos tons maiores e, sobretudo os menores usados para endossar a tendência luterana pietista de ser fiel à palavra sagrada.

Que maravilhoso teatro a ser desvendado existe em Bach!!!

Por Cyro del Nero

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Sep 18 2008

A ousadia de Wieland Wagner

Publicado por Cyro Del Nero em Música

Wieland Wagner era neto do compositor Richard Wagner e após a Segunda Guerra Mundial conseguiu autorização das tropas de ocupação na Alemanha, para reabrir o Festival de Bayreuth e encenar novamente as óperas de seu avô. Foi uma longa luta de cerca de oito anos para a reabertura de Bayreuth que tinha sido durante o período nazista, um santuário do nacional socialismo que identificava sua doutrina com a mitologia germânica transformada em espetáculo pelas óperas de Wagner.

Afinal conseguiu e como encenador Wieland herdou também as teorias plásticas e de iluminação do suíço Adolphe Appia. Encenador, coreógrafo, diretor, cenógrafo, figurinista, Wieland só não se aventurou como regente de orquestra.

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Sep 16 2008

Bob Wilson e seu teatro de “visões”

Publicado por Cyro Del Nero em Teatro

Peer Gyant 1. Direção de Bob Wilson

Poeta plástico, cenográfico (gráfico – que pratica o teatro com todos os elementos visuais criados por ele mesmo e mais os seus elementos sonoros). É um teatro feito de “visões” que transcorrem lentamente, com propostas insólitas, belas e poéticas. Tais visões desafiam nosso tempo interior e nos conduzem quase por uma hipnose à reflexão conduzida por Bob Wilson em espetáculos de horas.

Filho de uma família conservadora da Igreja Batista americana, a lembrança de sua mãe é a de uma mulher sentada, ereta e de difícil aproximação. Quando a mãe soube que o professor havia perguntado a toda a classe de seu filho o que eles queriam ser quando crescessem, e que Bob havia respondido que seria o rei da Espanha, e que então, o professor havia comentado que esse menino teria problemas. A mãe de Bob Wilson comentou simplesmente sem sair de sua cadeira: “Eu não acho isso”.

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Sep 09 2008

O batismo de Gordon Graig em Moscou

Publicado por Cyro Del Nero em Teatro

Foi Isadora Duncan quem recomendou um homem do teatro que ela amava, a Stanislavsky, Diretor do Teatro de Arte de Moscou. Gordon Craig, o ator inglês, filho de uma atriz, Ellen Terry.

Ele havia representado sete vezes na Inglaterra, o Hamlet de Shakespeare. Com tal recomendação, não pelo que já havia realizado, mas pela credibilidade que gozava Isadora Duncan junto a Stanilavsky, o jovem Craig foi convidado para ir à Rússia, iniciando lá a fundação de uma nova modalidade de teatro através de sua obra plástica.

Era contemporâneo de Adolphe Appia e dividiu com este as teorias sobre a plasticidade tridimensional necessárias para as representações do teatro e da ópera. Criou cenários e indumentária teatral. Sua cenografia ainda era experimental e apesar de não ter sido realizada a contento gerou um grande sucesso de crítica e uma repercussão mundial.

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